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A historia da Kathy

Uma simples ida ao cinema mudou a minha vida quando eu tinha 18 anos. Tive muita sorte que naquela terça feira, novembro de 2013, faltou luz, então minha família resolveu ir ao cinema. Estávamos indo de carro e eu estava sentada atrás no meio e junto aos irmãos estavam do meu lado. Como sou uma pessoa bem brincalhona, eles acharam no início que eu estava fazendo gracinha. Quando viram que eu não respondia começaram a pedir ajuda para os meus pais. Eles decidiram ir para o hospital. A minha última lembrança era da gente no carro e quando acordei estava numa cama da emergência sem entender nada e com uma dor de cabeça.


Ser diagnosticada com epilepsia foi muito difícil para mim, pois mal conhecia da doença e tinha um preconceito muito grande. Achei que nunca fosse ficar bem, pois as convulsões continuavam acontecendo mesmo tomando os medicamentos e mudando os hábitos de vida. Uma das primeiras coisas que a doença me ensinou foi ter calma, pois só assim iria conseguir me ajudar. Perder a memória recente, engordar e estar sempre cansada eram só alguns dos efeitos colaterais dos medicamentos.

A depressão foi consequência de um auto isolamento. As mil e uma amizades que eu achei que tivesse também foram se mostrando mais para amigos de festa, e tudo o que eu não precisava era de festa. Os amigos que permaneceram foram muito importantes, pois sempre, até hoje, não me deixam desistir de mim, me dão apoio, me mostram saídas onde todas as portas já estão fechadas. A ansiedade veio a mil também, pois tinha receio de fazer as coisas, principalmente sozinha.

O processo de auto aceitação da doença foi muito doloroso, porém com a ajuda de sites e depoimentos de pessoas epilépticas, dizendo que ainda não há cura, mas existe tratamento, se tornou mais fácil de me aceitar e ver que eu não preciso ter vergonha do que eu sou/tenho. Portanto não podemos perder a ESPERANÇA de que um dia a cura chegue para todos, ou que pelo menos todos os medicamentos funcionem sem os efeitos colaterais.

O que falta para todas as pessoas é conhecimento da doença, por isso, sempre quando tenho a oportunidade de falar sobre ela eu me emociono. Ela me ensinou a viver de uma maneira não pior, mas diferente, me fazendo valorizar todos os momentos, sempre, e agradecer a todas as pessoas que cuidam de mim.

Hoje em dia eu estudo para entrar na faculdade de medicina, não convulsiono há 3 anos e 7 meses, namoro, fui liberada para dirigir, enfim, vivo uma vida maravilhosa. Nenhum obstáculo é tão grande se a vontade de vencer for maior. Sou epiléptica, com muito orgulho.

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